Mulheres negras se unem em ato contra o racismo e o machismo – TNM

Nesta quarta-feira (25/7), o Coletivo Marcha das Mulheres Negras tomará em luta as ruas que levam da praça Roosevelt ao Teatro Municipal. A “Marcha de Mulheres Negras, por nós, por todas nós, pelo bem viver” seguirá pelo centro de São Paulo. Mulheres unidas pelo enfrentamento das opressões que sofrem diariamente.

Todos os dias são dias de luta para uma mulher negra. Dia 25 de julho é mais um destes dias. Desde 1992, é considerado o dia da Mulher Negra Latino americana e Caribenha. Esta data foi cunhada não para que hajam festejos, mas para marcar a necessidade de formulação de políticas públicas capazes de diminuir os índices de violência a que as mulheres negras estão vulneráveis nos países pertencentes a este eixo geográfico. Uma conquista importante do primeiro Encontro de Mulheres Negras da América Latina e Caribe realizado em Santo Domingos na Republica Dominicana.

O coletivo Marcha das Mulheres Negras de São Paulo ajudou a construir a Marcha que levou a Brasília, em 2015, cerca de 50.000 mulheres, e organizou, em 2016, a primeira marcha na cidade de São Paulo pelo 25 de Julho, que levou mais de 3.000 mulheres pelas ruas do Centro. No ano passado, foram cerca de 5 mil mulheres. “Construir a marcha, um espaço tão plural, é uma responsabilidade enorme. Um marco de construção com mulheres que pensam uma nova sociedade”, explicou Juliana Gonçalves, jornalista e construtora da Marcha.

Numa sociedade historicamente estruturada em torno da violência racial, como é o caso do Brasil, as mulheres negras estão ainda mais vulneráveis em razão da intersecção das opressões que sofre pelo machismo e pelo racismo. O Atlas da Violência 2018, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apurou que entre 2006 e 2016 o número de mulheres negras assassinadas por homens cresceu 15,1% enquanto o de mulheres não negras diminuiu 8%. Estes números mostram que as políticas públicas estão salvando apenas algumas mulheres. No entanto, precisamos elaborar políticas que sejam capazes de salvar vidas sem escolher a cor da pele. E a marcha das mulheres negras é um espaço necessário e vital para que possamos exigir que essas políticas sejam formuladas.

No dia 25 de julho também é comemorado o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Uma homenagem à líder quilombola que viveu no século 18 e que foi morta por homens brancos numa emboscada. Tereza foi líder do Quilombo Quariterê no Mato Grosso. Ela assumiu a liderança da comunidade após a morte do marido, José Piolho.

Essa é a razão pela qual o dia 25 de julho é mais um dia de luta no Brasil, na América Latina e no Caribe. Para lembrar que a vida das mulheres negras importa. Para fortalecer e legitimar organizações que lutam pelo bem estar destas mulheres, e que através de manifestações e encontros exigem ações eficazes do poder público.

O Ato contará com as presenças do grupo Ilú Obá De Min, roda de Jongo, além de diversas intervenções artísticas e falas de coletivos durante toda a Marcha.